As eleições de 2026 também estão na agenda do cooperativismo. Isso porque decisões tomadas por
governos e pelo Congresso podem afetar diretamente as cooperativas, por meio de leis, impostos,
regulamentações, crédito, infraestrutura e políticas públicas. Para estimular a participação consciente dos
cooperados, o Sistema OCB lançou o programa de educação política #PenseNoCoop, com informações e
materiais para ajudar os eleitores a conhecer propostas, trajetórias e posições dos candidatos e ampliar o
diálogo do setor com os representantes públicos.
A importância desse acompanhamento aparece nos números: segundo a Cartilha Cooperativismo e as
Eleições 2026, do Sistema OCB, somente em 2025 foram identificados mais de 2.600 normativos do
Poder Executivo e mais de 5.700 proposições no Congresso com algum impacto sobre as cooperativas.
Não é sobre partido, é sobre propostas
A OCB reforça que sua atuação é apartidária e não significa apoiar candidatos, mas defender causas
importantes para o cooperativismo. Entre elas estão um ambiente regulatório mais justo, políticas públicas
que reconheçam o modelo cooperativo e representantes atentos às demandas do setor.
Por isso, a orientação ao eleitor é olhar além das promessas de campanha e pesquisar o histórico e as
propostas de cada candidato. Para quem considera o cooperativismo importante, algumas perguntas
podem ajudar: o candidato conhece o setor? Já apoiou iniciativas relacionadas às cooperativas? Como se
posiciona sobre crédito, produção, tributação, infraestrutura e desenvolvimento regional?
O Sistema OCB também disponibilizou a publicação Propostas para um Brasil Mais Cooperativo, que
reúne contribuições do movimento cooperativista para o desenvolvimento econômico e social do país e
busca ampliar o diálogo com candidatos e tomadores de decisão.
Participação também é cidadania
A participação política, porém, não termina no voto. Assim como nas cooperativas os associados
participam das decisões e ajudam a definir seus rumos, na democracia os cidadãos podem acompanhar,
cobrar e dialogar com seus representantes durante todo o mandato.
Nas Eleições 2026, a proposta da OCB é ampliar esse debate: mais informação, participação consciente e
atenção às propostas que podem influenciar o ambiente em que as cooperativas atuam.
Mas como essa cultura de participação, cooperação e diálogo pode ser construída na prática? E qual é o
papel do cidadão nesse processo, para além do momento de votar?
Para discutir essas questões, conversamos com Rafael Barbosa Furtado, professor da rede pública em
Minas Gerais, com formação em Ciências Sociais, História e Filosofia e especialização em Sociologia.
Ele tem experiência em Sociologia da Educação e atua com grêmios estudantis e projetos de participação
política.
Cooperação também se constrói no dia a dia
1. O que a história do Brasil nos ensina sobre a importância da cooperação para construir uma
sociedade mais participativa?
A história do Brasil mostra que muitas conquistas nasceram da organização coletiva. Desde as Irmandades
do período colonial até os movimentos de trabalhadores, estudantis e sociais, diferentes grupos se uniram
para enfrentar problemas e defender direitos.
Muitas conquistas sociais e políticas foram resultado dessa mobilização da sociedade civil e da pressão
sobre o Estado. A Constituição de 1988, por exemplo, é fruto de décadas de lutas e reivindicações. Essa
trajetória mostra que a cooperação é uma importante ferramenta para transformar a realidade social,
política e econômica.
2. Como diálogo, participação e colaboração podem contribuir para políticas públicas voltadas ao
desenvolvimento coletivo?
A política sempre envolve diferentes interesses e conflitos. Por isso, a organização dos grupos é
importante para que suas demandas sejam ouvidas e possam se transformar em políticas públicas.
A história brasileira mostra movimentos de trabalhadores, estudantes, associações e outros grupos
pressionando o Estado por mudanças. Quando diferentes setores participam do debate, aumenta a
possibilidade de construir políticas que atendam a interesses mais amplos, e não apenas aos grupos que
concentram maior poder político e econômico.
3. Por que a participação política precisa ir além do voto?
Sabemos que a democracia não se resume ao momento de votar. O voto é uma parte importante do
processo, mas a participação cidadã precisa acontecer também no dia a dia. Isso pode ocorrer nos bairros,
nas escolas, nas associações, nos movimentos sociais e, atualmente, também nas redes sociais. As pessoas
podem se organizar, colocar problemas em debate e cobrar do poder público a realização de direitos que
muitas vezes estão previstos nas leis, mas ainda não são plenamente garantidos.
Por isso, a educação política é fundamental. A escola pode ensinar democracia não apenas no discurso,
mas na prática, por meio de grêmios, representantes de turma, projetos e espaços de diálogo.
4. Que atitudes podem fortalecer uma cultura política baseada em cooperação, solidariedade e
responsabilidade coletiva?
Uma cultura política mais cooperativa começa pela educação para a democracia. Isso significa aprender a
respeitar os direitos humanos, ouvir opiniões diferentes, dialogar e buscar soluções para os conflitos sem
transformar as diferenças em motivo de intolerância.
A participação também precisa acontecer entre uma eleição e outra, por meio de associações, movimentos
sociais, comunidades, escolas e redes sociais. É importante entender que a política faz parte da vida
cotidiana e que todos podemos participar dela.
Mesmo em uma sociedade que muitas vezes estimula a competição, podemos construir formas mais
cooperativas e solidárias de convivência e organização, tanto na política quanto na economia.