Check-up financeiro: como chegar ao fim do ano no controle

Com o endividamento das famílias brasileiras em nível elevado, organizar as despesas é o primeiro passo, mas só a mudança de hábito garante resultado

Uma pesquisa da empresa Datatudo, divulgada recentemente, apontou que 40% dos entrevistados pretendem anotar e acompanhar os próprios gastos nos próximos meses. Com mais de 80% das famílias brasileiras endividadas, o meio do ano é um ótimo período para revisar hábitos de consumo e reorganizar as contas. Saber onde estão os maiores gastos ajuda a evitar dívidas e deixar os próximos meses mais tranquilos.

O segundo semestre chegou e, com ele, começam a aparecer algumas despesas que já conhecemos: férias, viagens, presentes, confraternizações, impostos, matrículas e material escolar. Por isso, este é um bom momento para você parar um pouco e olhar para as próprias finanças. Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), e Daiane Alves, educadora financeira da Neon, orientam sobre como se organizar financeiramente neste período.

O cenário brasileiro mostra que esse cuidado é cada vez mais importante. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que o endividamento das famílias continua em níveis elevados, e este não é um problema que atinge apenas quem ganha menos.

Para quem tem uma renda estável, cuidar das finanças não significa simplesmente cortar tudo o que dá prazer. Significa saber para onde o dinheiro está indo, fazer escolhas melhores e reservar uma parte da renda para o futuro. Confira as dicas de Rodrigo Mandaliti e Daiane Alves.

 

Antes de cortar gastos, descubra para onde o dinheiro está indo

O primeiro passo é simples: olhar para as suas contas. Anote durante um mês tudo o que você gasta. Inclua as despesas maiores, como aluguel, financiamento e supermercado, mas também aquelas pequenas compras do dia a dia, assinaturas, aplicativos e parcelas.

Quando colocamos tudo no papel, fica mais fácil perceber para onde o dinheiro está indo. Às vezes, não é uma grande despesa que pesa no orçamento, mas várias pequenas que se repetem todos os meses.

A ideia não é cortar gastos por cortar, mas, sim, descobrir se o dinheiro está sendo usado de acordo com aquilo que realmente é importante para você e sua família.

 

Cuidado com o acúmulo de parcelas

Comprar parcelado pode ser uma boa opção quando existe planejamento. O problema começa quando muitas parcelas vão se acumulando e comprometem boa parte da sua renda dos meses seguintes. Por isso, não olhe apenas para o valor de cada prestação. Some as parcelas que você já tem e veja quanto da sua renda futura está comprometida.

Uma lista simples com as parcelas do cartão, empréstimos, financiamentos e outras compras ajuda a enxergar melhor a situação. Assim, fica mais fácil para você decidir se é realmente hora de assumir uma nova prestação.

Crédito pode ajudar, mas precisa caber no bolso

O crédito faz parte da vida financeira e pode ser útil para realizar projetos ou resolver necessidades. O importante é você saber usá-lo com planejamento.

Antes de contratar um empréstimo ou financiamento, não olhe somente para o valor da parcela. Veja também os juros, o prazo, o valor total que será pago e o Custo Efetivo Total (CET). Uma prestação que parece pequena pode resultar em um valor bem maior quando somamos todos os pagamentos.

No cartão de crédito, sempre que possível, o ideal é pagar a fatura integralmente. Quando o pagamento não é feito por completo, os juros podem aumentar rapidamente o valor da dívida.

A pergunta, portanto, não deve ser apenas “essa parcela cabe no meu bolso?”, mas também “quanto vou pagar por essa compra até o final?”

 

Comece a pensar nas despesas de fim de ano agora

Dezembro parece distante, mas chega rápido. E algumas despesas já são conhecidas: presentes, viagens, festas, impostos, seguros e gastos escolares do início do próximo ano.

Uma boa estratégia é você fazer uma estimativa desses valores e começar a separar o dinheiro desde já. Por exemplo: se você calcula que terá R$6 mil em despesas extras e faltam quatro meses, guardar R$1,5 mil por mês permite chegar ao fim do ano com esse dinheiro separado.

Dessa forma, você evita deixar tudo para a última hora e diminui a chance de precisar recorrer ao crédito para pagar contas que já eram esperadas.

 

Reserve uma parte da renda para o futuro

Depois de você organizar as contas e cuidar das dívidas mais caras, outro passo importante é construir uma reserva financeira. Ter algum dinheiro guardado ajuda quando aparece uma despesa inesperada — um problema no carro, uma obra urgente em casa ou qualquer outra situação que não estava no orçamento.

Você não precisa começar com uma grande quantia. O mais importante é criar o hábito de separar um valor todos os meses. Com o tempo, essa reserva pode dar mais segurança e também permitir que parte do dinheiro seja destinada a investimentos, de acordo com os objetivos e o perfil de cada pessoa.

Antes de terminar o ano, reveja seus planos

A vida muda e o planejamento financeiro também precisa mudar. O que parecia importante em janeiro pode já não fazer sentido alguns meses depois. 

Por isso, aproveite o segundo semestre para olhar novamente para seus objetivos. Alguma despesa aumentou? Alguma dívida precisa ser reorganizada? Existe algum projeto que pode ser retomado? É possível guardar um pouco mais?

Você não precisa complicar. O importante é fazer uma pausa, olhar para os números e ajustar o que for necessário.

 

Um pouco de organização hoje pode evitar muita preocupação amanhã

Cuidar do dinheiro não significa deixar de viajar, sair, presentear ou aproveitar a vida, mas fazer isso sem comprometer o que vem pela frente. Para quem tem uma renda estável, organizar as finanças pode ajudar não só a evitar dívidas, mas também a construir uma reserva, proteger o patrimônio e realizar planos com mais tranquilidade.

Olhar para o dinheiro agora pode fazer toda a diferença para chegar ao fim do ano com mais tranquilidade e começar o próximo com os pés no chão.

 

Fonte – Portal Sala da Notícia e Jornal do Brás