Cooperativismo de crédito aliada à economia solidária é um caminho para um mundo mais justo em 2026

O começo de um novo ano costuma nos levar a rever caminhos e imaginar futuros possíveis. E duas datas recentes podem nos ajudar nesta reflexão: o Dia Nacional do Cooperativismo de Crédito, celebrado em 28 de dezembro, e o Dia Nacional e Internacional da Economia Solidária, em 15 de dezembro. Essas datas nos apontam para modelos econômicos que já estão funcionando e transformando vidas.
O cooperativismo de crédito nasceu no Brasil em 1902, em Nova Petrópolis (RS), e ao longo do tempo se firmou como uma forte ferramenta de inclusão financeira e desenvolvimento local. Conforme o Anuário do Cooperativismo 2025, o setor é a maior rede física de atendimento financeiro do país, com mais de 10,2 mil pontos, presentes em cerca de 65% dos municípios brasileiros. Em 469 cidades, a cooperativa é a única instituição financeira existente.

Cooperação transforma municípios

Hoje existem mais de 21,3 milhões de cooperados, e o setor cresce acima da média do sistema financeiro tradicional. Este impacto vai além dos números, pois, aonde a cooperativa chega, o desenvolvimento aparece. Estudos da Fipe, realizados em parceria com o Sistema OCB, mostram que municípios com cooperativas têm mais empregos formais, mais comércio local e maior dinamismo econômico. Isso acontece porque o dinheiro fica na região, circula, gera renda e fortalece a comunidade.
Outro ponto central é a educação financeira e cooperativista. Ao longo dos anos, cooperativas desenvolvem projetos em escolas, ações com jovens e formações para associados. Esse trabalho ajuda a formar pessoas mais conscientes, preparadas para lidar com o dinheiro e compromissadas com valores como cooperação, solidariedade e participação coletiva.
Por isso, a ONU declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas. Hoje são mais de 3 milhões de cooperativas no mundo, reunindo cerca de 1 bilhão de pessoas e gerando 280 milhões de empregos. No Brasil, dados da FIPE/USP mostram que, em municípios com cooperativas, o impacto anual ultrapassa R$ 48 bilhões, com geração de empregos, novas empresas e aumento do PIB per capita.

Economia Solidária cresce no Brasil

Já a economia popular e solidária aponta outro caminho possível: o da organização coletiva do trabalho, da autogestão e da dignidade. Reconhecida oficialmente pela Lei nº 13.928/2019 e fortalecida com a criação da Política Nacional de Economia Solidária em 2024, este setor reúne iniciativas em áreas como agricultura, artesanato, alimentação, confecção, serviços e cultura. 
E um dado chama a nossa atenção: segundo o Relatório Sem Parar 2025, 80% das mulheres da economia solidária são responsáveis pela principal renda da família. Mesmo enfrentando desafios como informalidade e baixa renda média, esses empreendimentos oferecem mais proteção social, fortalecimento da autoestima e organização coletiva, principalmente em territórios mais vulneráveis.
Cooperativismo de crédito e economia solidária, portanto, não são ideias abstratas. São práticas reais, presentes no dia a dia de milhões de pessoas. Em um mundo ainda marcado por desigualdades e concentração de renda, esses modelos mostram que é possível fazer diferente.
Onde há cooperação, a vida melhora. Onde há organização coletiva, surgem oportunidades. A Promocred torce para que 2026 seja mais um ano de fortalecimento desses caminhos e de transformação concreta nas comunidades e na vida das pessoas.